Não é de hoje que meu entusiasmo é assolado: tem sido assim, cedo ou tarde, algo provoca fissuras no meu paraíso... meu otimismo presupôs que seria mais fácil.
Quando o ano começou, nova administração municipal, o diálogo com o delegado na política (levamos em mãos uma carta de exigências do Nudes) e só o fato de sermos atendidos, já inflou minhas esperanças. Aí a escolha da equipe da Cultura ter sido deixada nas mãos dos que já estavam envolvidos: artistas e gestores experientes. Foi entusiasmente e o tucano, político de primeira viagem, ganhou um ponto no meu score. Depois o vi no palco, tocando com a orquestra de sopros da cidade, arranjos lindos: mais alguns pontos.
O vacilo: a força da mosca azul de Frei Beto.
Não passou um ano, um mísero ano para que as atitudes exemplares, as ações resqualificassem sua gestão: a mosca azul do poder o teria picado?? As pessoas daqui gostam de falação, pra não dizer fofoca: casos variados vindos das mais diversas fontes diziam horrores do tucaninho e sua gestão. E a mosca azul não tardou a agir. Eis que o discurso todo caiu por terra: uma alienígena da área cultural, mas bem conhecida dos lençóis do gestor, apesar da separação oficial, foi nomeada para um cargo da cultura. É assim que o carro (de boi) anda no interior do nosso Brasil varonil: cedo ou tarde o discurso cai por terra, as circunstâncias revelam as pessoas, o alienígena, tão íntegro e ideal, revela que o caminho mais fácil e nem sempre ético e moral, é a trajetória de todos que chegam lá.
A cidade enfeiada.
Na minha nova vizinhança, vejo horrores estéticos, vejo buracos e galhos nas calçadas, crateras no asfalto do meu caminho, e uma onda de desânimo me invade, assombrosamente. Eu me desfaço em dores públicas, enquanto a vida privada, vai muito bem, obrigada.
Eu jamais votaria num representante da ave de rapina da política brasileira, mas com meu otimismo nato, um sorriso me nasceu nos lábios: em menos de um ano, em menos de um ano e meus sentimentos sobre o eleito pra cuidar desse lugar mudou tanto.
A cidade nunca deixou de ser feia (me permitam a metáfora, por favor...)