Desde que soube, através de imagens, das faixas "Queremos intervenção militar" na paralização dos cominhoneiros posicionados na BR 376, não me animei em me juntar ao movimento. Aí veio o apoio da associação comercial da cidade e pronto, minha antipatia foi selada. Mas a avalanche de notícias, boatos, dramas em forma de textos, áudios e vídeos me provocaram e convidei as pessoas em geral no grupo do ZapZap do meu vereador: duas almas se dispuseram e fomos firmes, dispostos à ouvir, mais do que falar. E sem nenhuma evidência do nosso esquerdismo. Foi muito interessante; primeiro porque conheci J., a figura do Sumaré, tão incrível no grupo e porque revi I., o professor bonitão, ambos da minha laia. Depois porque conheci a realidade daquelas pessoas, que ganham a vida através da estrada. A vida do caminhoneiro contratado é diferente da do autônomo, esses últimos são cerca de 40% dos homens das estradas brasileiras. Ser caminhoneiro é assumir um estilo de vida, é se acostumar com a rotina sem rotina, é se viciar em paisagens: o caminhoneiro é antes de tudo um romântico. Mas ali tinha empresários também; um tem 19 caminhões, outro apenas 3. A diversidade de instâncias sócio econômicas do piquete era tamanha, que não souberam me explicar quem colocou a faixa em defesa da intervenção militar ali: uma delas é uma placa, não faixa! Quando toquei no assunto, muitos me ouviram e não defenderam: pareciam ignorar o significado.
Houve uma ordem de conceitos nesse fenômeno: começou como locaute, passou para greve e dái para paralização. E o governo perdeu o controle e agora assume o uso da força ao dizer que são baderneiros os que permanecem e impedem os que querem trabalhar, baderneiro que pedem intervenção militar.
Quem é capaz de confessar saudades de Lula, o conciliador?!
Percepções daqui
Xícara sem café. Cidade sem sentido? Mais um blog sobre catarse da minha própria existência. Quando escrever sobre o cotidiano soa como sobrevivência na cidade onde vivo
quinta-feira, 31 de maio de 2018
domingo, 27 de maio de 2018
O casarão da esquina da Pernambuco
Era uma casa térrea, toda ajardinada e presumo que os donos eram orientais. Havia muitas plantas ao redor: quintal, garagem e nos fundos. Estava velha e descuidada, arquitetura dos anos 1970, com cobogós, por exemplo. Já não consigo vizualizar mais essa casa, pois ela foi vendida, demolida e agora o terreno baldio está para alugar (!) Não sei sobre os trâmites todos, mas houve uma placa de vende-se, noutra semana foi tudo abaixo e ontem vi a placa de aluga-se. Por Deus, eu não consigo entender, não entra na minha cabeça: qual a lógica disso? Se fosse caso isolado, até ok, mas isso é a coisa mais comum de acontecer em Paranavaí: são muitos terrenos baldios em áreas nobres frutos de casas grandes demolidas. O trocadilho com a obra de Gilberto Freire não é coincidência. A informação mais preocupante que me chegou esse ano sobre a cidade foi de que 40% dos imóveis estão fechados ou aciosos! Isso mesmo, eu escrevi 40%!!! O que esperar de um município assim? Numa respota rápida, e meramente ilustrativa: alugueis altos, existência de uma elite especulativa e predatória. Isso porque o valor do IPTU de terrenos baldios é mais caro do que de propriedades onde haja construções. Onde estão os jovens filhos da elite? Estão fora daqui e isso pra mim reflete, além de escolhas pessoais que desconheço, a falta de tino pra que a cidade absorva essas pessoas.
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Não é de hoje que lanço a sorte sobre minha permanência aqui. Somado à outras decisões definidas, lanço: se naquela esquina abrir uma farmácia, eis mais um belo chute em mim. O que me mantém aqui é meu trabalho, minha carreira que construí à revelia deste lugar. O nascer e o pôr do sol do MEU apartamento são lindos, entusiasmáticos: amo meu trabalho, minha casa... mas essa cidade dá mostras de que, inadequada a sua "lógica" e modos de operação, não me acolhe, não cola com o que penso ser um lugar para ser socialmente feliz.
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Não é de hoje que lanço a sorte sobre minha permanência aqui. Somado à outras decisões definidas, lanço: se naquela esquina abrir uma farmácia, eis mais um belo chute em mim. O que me mantém aqui é meu trabalho, minha carreira que construí à revelia deste lugar. O nascer e o pôr do sol do MEU apartamento são lindos, entusiasmáticos: amo meu trabalho, minha casa... mas essa cidade dá mostras de que, inadequada a sua "lógica" e modos de operação, não me acolhe, não cola com o que penso ser um lugar para ser socialmente feliz.
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