Desde que soube, através de imagens, das faixas "Queremos intervenção militar" na paralização dos cominhoneiros posicionados na BR 376, não me animei em me juntar ao movimento. Aí veio o apoio da associação comercial da cidade e pronto, minha antipatia foi selada. Mas a avalanche de notícias, boatos, dramas em forma de textos, áudios e vídeos me provocaram e convidei as pessoas em geral no grupo do ZapZap do meu vereador: duas almas se dispuseram e fomos firmes, dispostos à ouvir, mais do que falar. E sem nenhuma evidência do nosso esquerdismo. Foi muito interessante; primeiro porque conheci J., a figura do Sumaré, tão incrível no grupo e porque revi I., o professor bonitão, ambos da minha laia. Depois porque conheci a realidade daquelas pessoas, que ganham a vida através da estrada. A vida do caminhoneiro contratado é diferente da do autônomo, esses últimos são cerca de 40% dos homens das estradas brasileiras. Ser caminhoneiro é assumir um estilo de vida, é se acostumar com a rotina sem rotina, é se viciar em paisagens: o caminhoneiro é antes de tudo um romântico. Mas ali tinha empresários também; um tem 19 caminhões, outro apenas 3. A diversidade de instâncias sócio econômicas do piquete era tamanha, que não souberam me explicar quem colocou a faixa em defesa da intervenção militar ali: uma delas é uma placa, não faixa! Quando toquei no assunto, muitos me ouviram e não defenderam: pareciam ignorar o significado.
Houve uma ordem de conceitos nesse fenômeno: começou como locaute, passou para greve e dái para paralização. E o governo perdeu o controle e agora assume o uso da força ao dizer que são baderneiros os que permanecem e impedem os que querem trabalhar, baderneiro que pedem intervenção militar.
Quem é capaz de confessar saudades de Lula, o conciliador?!
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