Um segundo depois que me despedi de todos em frente à prefeitura, pensei comigo mesma: o que estou fazendo aqui, que manhã foi essa? Mais um segundo: "Estou no lugar certo!" Estar com a juventude é uma forma de beber na fonte, de estar ligada ao novo, de sofrer e levar influência. Eu não quero parar nunca, do contrário, não serei mais eu.
Onde a vida se faz milagre?
Onde se faz rancor?
Eu me desfaço em sentimentos confusos ao refletir sobre os últimos episódios da minha vida. Os estudantes pararam as palavras de ordem quando o homem segurou no meu braço, dizendo: "É vagabundo!" Eu estava no meio do calçadão, um pouco longe do grupo. Uma das gurias pensou que o homem rancoroso falava deles, de nós, dos manifestantes da praça, mas no diálogo, o vagabundo na boca do reacionário de meia idade era Ciro Gomes como opção de voto, afinal, ele disse que votará no Inominável por falta de opção; isso depois de dizer que o povo não sabe votar: eu disse, mas vc sabe, pretensioso! O eleitor de Bolsonaro ainda é capaz de ouvir. Até quando? Eu não desmerço ninguém, absolutamente, mas não me venha com jargões ignorantes, como este: vagabundo. Espavoridos, dialogamos, mas a expressão corporal revelou o conflito: eu panfletava elegante, distribuindo as ideias dos estudantes: fecharam a biblioteca do campus por falta de funcionário. Quem me ouviu no megafone? Quem sabe de mim nesse lugar de tanta desigualdade? A rua é o meu lugar de catarse, onde primo pelo contato humano e esqueço das mazelas do mundo de mim. Depois da caminhada até o centro da cidade, sem megafone e gritando palavras de ordem à capela, dividimos os ouvidos dos citadinos com um artista de rua: saxofonista. Foi a primeira vez que vi um músico solitário tocando na calçada aqui em Paranavaí: deixei 20 pilas no chapéu, pela música que nos animou no protesto na rua.
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Em casa, o causo com a colega de trabalho ainda me aflige. Eu não quero mais digerir o conflito para além da mesa do bar, como foi ontem com G.:chega! Depois de pedalar com esse tempo seco, o cabelo fica cheio de folhinhas. Vou me limpar de corpo e de alma ouvindo Jorge Drexler no último volume, para regozijo (ou não) da minha vizinhança. O que é tão pequeno não pode me atingir, amém!
Dan dos Santos, daqui.
Onde a vida se faz milagre?
Onde se faz rancor?
Eu me desfaço em sentimentos confusos ao refletir sobre os últimos episódios da minha vida. Os estudantes pararam as palavras de ordem quando o homem segurou no meu braço, dizendo: "É vagabundo!" Eu estava no meio do calçadão, um pouco longe do grupo. Uma das gurias pensou que o homem rancoroso falava deles, de nós, dos manifestantes da praça, mas no diálogo, o vagabundo na boca do reacionário de meia idade era Ciro Gomes como opção de voto, afinal, ele disse que votará no Inominável por falta de opção; isso depois de dizer que o povo não sabe votar: eu disse, mas vc sabe, pretensioso! O eleitor de Bolsonaro ainda é capaz de ouvir. Até quando? Eu não desmerço ninguém, absolutamente, mas não me venha com jargões ignorantes, como este: vagabundo. Espavoridos, dialogamos, mas a expressão corporal revelou o conflito: eu panfletava elegante, distribuindo as ideias dos estudantes: fecharam a biblioteca do campus por falta de funcionário. Quem me ouviu no megafone? Quem sabe de mim nesse lugar de tanta desigualdade? A rua é o meu lugar de catarse, onde primo pelo contato humano e esqueço das mazelas do mundo de mim. Depois da caminhada até o centro da cidade, sem megafone e gritando palavras de ordem à capela, dividimos os ouvidos dos citadinos com um artista de rua: saxofonista. Foi a primeira vez que vi um músico solitário tocando na calçada aqui em Paranavaí: deixei 20 pilas no chapéu, pela música que nos animou no protesto na rua.
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Em casa, o causo com a colega de trabalho ainda me aflige. Eu não quero mais digerir o conflito para além da mesa do bar, como foi ontem com G.:chega! Depois de pedalar com esse tempo seco, o cabelo fica cheio de folhinhas. Vou me limpar de corpo e de alma ouvindo Jorge Drexler no último volume, para regozijo (ou não) da minha vizinhança. O que é tão pequeno não pode me atingir, amém!
Dan dos Santos, daqui.

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