Artigo publicado no Jornal Diário do Noroeste no dia 08 de março de 2019.
O 08 de março já se
estabeleceu como marco nos calendários ao redor do mundo como o dia
internacional da mulher, data que tem sido apropriada por campanhas
publicitárias que pretendem vender os mais diversos produtos destinados ao
gênero feminino, mas que tem origem nos movimentos sociais que denunciam a
degradação do status social das
mulheres no decorrer da História. Quando se trata do Brasil, não há dúvidas de
que esta data precisa ser lembrada, principalmente por conta da realidade das
mulheres na sociedade contemporânea, daí ser importante traçar um breve
histórico das lutas na defesa dos direitos das mulheres.
As jovens brasileiras
tiveram acesso ao ensino superior mais tarde do que os homens (1879) e
conquistaram o direito de voto apenas em 1932: tais informações mostram a
emancipação social morosa do sexo feminino e, consequentemente, o acesso tardio
à cidadania. Da mesma forma, questões ligadas à moralidade e aos costumes patriarcais
estipulavam condutas, comportamentos e até profissões adequadas às mulheres. As
‘desajustadas’ eram taxadas com os nomes mais degradantes, palavrões que
comumente brotam também nas bocas de outras mulheres, incapazes de perceber que
isso as afeta também. Daí a importância da ideia de sororidade, conceito que
pretende resgatar a necessária irmandade feminina, ou seja, a união das
mulheres para defesa mútua.
A história mostra que o
caminho foi longo e árduo, pois não foram poucas as conquistas. No entanto, as
estatísticas apontam que temos muitas veredas ainda para percorrer: é altíssimo
o índice de mulheres mortas vítimas de violência no Brasil (a lei do
feminicídio de 2015 foi uma conquista); mulheres são as mais vulneráveis no
tráfico de pessoas; ainda há discrepância salarial entre homens e mulheres na
mesma atividade laboral; meninas são mais expostas à violência doméstica e não
é menos violenta a criminalização do aborto, que torna a gestação obrigatória.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 16 milhões de
mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de violência no decorrer de 2018
(agressões virtuais incluídas).
Por tudo isso o 08 de
março é importante, na medida em que deve servir para problematizarmos os dados
e as informações sobre a condição das mulheres de hoje. E os números ligados à
violência, definitivamente, não são animadores: mulheres são violentadas e
mortas ‘como moscas’ no Brasil atual.
Entretanto, um olhar
mais apurado pode ilustrar um panorama de esperança: Paranavaí conta com um
Conselho Municipal dos Direitos da Mulher atuante, apesar da inexistência de
uma Secretaria da Mulher; a cidade tem uma delegada mulher à frente da
delegacia da mulher; conta com o Centro de Referência Especializado de Assistência
Social (CREAS) e ainda com a Patrulha Maria da Penha; o campus da UNESPAR de Paranavaí tem o Núcleo Maria da Penha
(NUMAPE), que oferece atendimento jurídico, social e psicológico às mulheres em
situação de violência doméstica; todos os campi
desta mesma universidade contam com o Núcleo de Educação para as Relações de
Gênero (NERG), que realiza debates, eventos e acolhe denúncias de situações de
assédio junto ao seu público universitário.
No dia 08 de março
mulheres de Paranavaí e região estaremos reunidas em manifestação no calçadão
da Getúlio Vargas a partir das 14hrs, juntamente com os adolescentes do Centro
da Juventude que organizarão “um paradão” para mostrar a importância da data.
Para completar nossa agenda, no dia 20 de março, das 8hrs às 10hrs, no Centro
de Conferências da UNESPAR, ocorrerá a palestra com o tema “Desmistificando o
Dia Internacional da Mulher” com a Professora da Universidade Estadual de
Maringá, Ludmila Castanheira, aberta ao público interessado.
Antes de “comemorar” a
feminilidade no dia 8 de março, é preciso pensar o quanto esta mesma
feminilidade tem sido interpretada, colocando quase sempre as mulheres num
patamar social inferior: não somos o sexo frágil; que esse dia signifique um
momento de luta, como tem sido no decorrer da História, e um dia de reflexão
para traçarmos novas táticas de ação, até que todas sejamos livres.
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