No final da semana
passada, nos dias 18 e 19 de novembro, Paranavaí serviu à carapaça de seu
codinome: cidade poesia. Na sua 51ª edição, o Festival de Música e Poesia recebeu
poemas, contos e músicas dos quatro cantos do Brasil, além de Portugal. Foi
bonito ouvir, nos discursos após as premiações, as homenagens à cidade, ao
festival e aos organizadores: Paranavaí tornou-se Paranavaíso nas palavras de
um poeta. Exageros à parte, certamente para um criador que tem como matéria prima
as palavras, a existência de um festival tão longevo como o Femup, patrimônio
imaterial da cidade desde o ano passado, é um privilégio. Afinal, os artistas da
palavra têm a oportunidade de expressar seus versos, sons e composições
literárias: um termômetro da sua intimidade com a escrita, do seu poder de
provocar emoções, fazer pensar e sentir.
Eu tive a honra de
contribuir com o Femup este ano como jurada dos poemas inscritos: foram mais de
400, então o trabalho foi árduo e envolvente, pois questionei o próprio
conceito de poesia: quais critérios? Em que medida e qual a importância da
métrica, da temática, da emoção? Sem saber previamente o resultado, encontrei
no palco do “Altino” os poemas declamados, outra categoria de premiação,
essencial e reveladora de talentos, então me emocionei mais algumas tantas vezes.
A boa surpresa da noite
de sábado foi a participação especial da banda Nômades, cujo integrante mais
destacado será o próximo prefeito da cidade, Kiq. A música Tubarões de aquário
foi classificada, assim como outras composições, em edições anteriores do
Femup, prova da verve artística do nosso futuro prefeito. Porém, presumo que
sua gritante guitarra elétrica não tenha nascido tucana: nem sempre a estética
musical combina com as ideologias políticas. Entretanto, o som deu a pitada
essencial ao rock pesado da noite, cuja letra empolgou e me abasteceu de
esperança.
Aliás, a figura do
gestor municipal tem sido fundamental para o sucesso do Femup nesses anos
todos. E o reconhecimento do trabalho do prefeito Rogério Lorenzetti aconteceu
nesta edição com o recebimento do prêmio Natividade, materializado na famosa
barriguda. O apoio da política institucional é essencial, mas também é preciso
reconhecer o trabalho da equipe liderada pelo presidente da Fundação Cultural,
Amauri Martinelli. Neste aspecto, os artistas e integrantes do conselho de
Políticas Culturais têm sido respeitados: na divulgação da equipe do novo
governo, à revelia da política de apadrinhamento, o próximo governante do
executivo municipal manteve o nome de Martinelli à frente da Fundação Cultural,
equivalente à secretaria de cultura: sensato, no mínimo, já que a força do
Femup está na equipe que o faz acontecer. Que Paranavaí continue assim, nos
dando música e poesia como combustível.
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