Percepções daqui

Xícara sem café. Cidade sem sentido? Mais um blog sobre catarse da minha própria existência. Quando escrever sobre o cotidiano soa como sobrevivência na cidade onde vivo

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A poesia como combustível


No final da semana passada, nos dias 18 e 19 de novembro, Paranavaí serviu à carapaça de seu codinome: cidade poesia. Na sua 51ª edição, o Festival de Música e Poesia recebeu poemas, contos e músicas dos quatro cantos do Brasil, além de Portugal. Foi bonito ouvir, nos discursos após as premiações, as homenagens à cidade, ao festival e aos organizadores: Paranavaí tornou-se Paranavaíso nas palavras de um poeta. Exageros à parte, certamente para um criador que tem como matéria prima as palavras, a existência de um festival tão longevo como o Femup, patrimônio imaterial da cidade desde o ano passado, é um privilégio. Afinal, os artistas da palavra têm a oportunidade de expressar seus versos, sons e composições literárias: um termômetro da sua intimidade com a escrita, do seu poder de provocar emoções, fazer pensar e sentir.
Eu tive a honra de contribuir com o Femup este ano como jurada dos poemas inscritos: foram mais de 400, então o trabalho foi árduo e envolvente, pois questionei o próprio conceito de poesia: quais critérios? Em que medida e qual a importância da métrica, da temática, da emoção? Sem saber previamente o resultado, encontrei no palco do “Altino” os poemas declamados, outra categoria de premiação, essencial e reveladora de talentos, então me emocionei mais algumas tantas vezes.
A boa surpresa da noite de sábado foi a participação especial da banda Nômades, cujo integrante mais destacado será o próximo prefeito da cidade, Kiq. A música Tubarões de aquário foi classificada, assim como outras composições, em edições anteriores do Femup, prova da verve artística do nosso futuro prefeito. Porém, presumo que sua gritante guitarra elétrica não tenha nascido tucana: nem sempre a estética musical combina com as ideologias políticas. Entretanto, o som deu a pitada essencial ao rock pesado da noite, cuja letra empolgou e me abasteceu de esperança.

Aliás, a figura do gestor municipal tem sido fundamental para o sucesso do Femup nesses anos todos. E o reconhecimento do trabalho do prefeito Rogério Lorenzetti aconteceu nesta edição com o recebimento do prêmio Natividade, materializado na famosa barriguda. O apoio da política institucional é essencial, mas também é preciso reconhecer o trabalho da equipe liderada pelo presidente da Fundação Cultural, Amauri Martinelli. Neste aspecto, os artistas e integrantes do conselho de Políticas Culturais têm sido respeitados: na divulgação da equipe do novo governo, à revelia da política de apadrinhamento, o próximo governante do executivo municipal manteve o nome de Martinelli à frente da Fundação Cultural, equivalente à secretaria de cultura: sensato, no mínimo, já que a força do Femup está na equipe que o faz acontecer. Que Paranavaí continue assim, nos dando música e poesia como combustível.

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