Em 2015 o FEMUP, Festival de Música e
Poesia de Paranavaí foi contemplado com o registro de patrimônio imaterial da
cidade e isso é um passo e tanto para o reconhecimento público desse evento,
que acontece há 50 anos.
Eu já conhecia o festival de nome,
porque se fala muito dele na cidade. Aliás, a alcunha de cidade poesia vem do
festival, que deve mesmo ser motivo de orgulho dos moradores. Não é fácil
manter um evento desta envergadura por tantos anos: exige dedicação dos
artistas locais, envolvimento do poder público e apoio da sociedade.
Os festivais de música eram bastante
populares nos anos 1960, palco de lançamento de grandes músicos, como foi o
festival da Record, assim como o auto denominado arrogantemente “Festival dos
festivais” da Rede Globo nos anos 1980. Durante a ditadura militar esses
eventos sofreram as mazelas da repressão e em Paranavaí não foi diferente.
Em vídeo documentário produzido pelo
jornalista David Arioch com auxílio de Amauri Martineli na direção, alguns
depoimentos indicam a apreensão dos participantes e organizadores diante da
atuação de agentes do governo, infiltrados ou não, na sua gana em encontrar
subversivos ou material com conteúdo impróprio. Maus tempos que poderiam minar
a existência do FEMUP, mas a reverência à arte e à poesia foi maior, mais forte
do que a falta de liberdade de expressão. Confesso que quando vi fotos de uma
manifestação em Paranavaí em que figurava um cartaz pedindo intervenção militar,
senti vergonha alheia, e como professora de História, fiz mea culpa.
Enfim, como expectadora de primeira
viagem, fui atingida no peito pela munição poética dos que estiveram no palco
do teatro municipal Dr. Altino Afonso Costa! Músicas, poemas e contos, mas também
uma pitada de teatro, já que as declamações são bem elaboradas. Tudo muito
emocionante!
Uma amiga, também professora e
ex-moradora de São Paulo, disse ter se surpreendido com o festival. Falou num
tom suficientemente surpreso pra dar a entender que não esperava encontrar um
evento de tamanha qualidade numa cidade do interior. E como é bom se
surpreender assim, eu bem sei!
A coisa toda foi emocionante, provocando mais do que aplausos do público
presente: às vezes lágrimas. E quando isso acontece, penso que a arte atinge
seus objetivos, que é emocionar, fazer pensar, refletir esteticamente. Do samba
com cítara, aos gritos das bruxas, minha estreia como expectadora do FEMUP foi
suficientemente boa pra me fazer cativa. Vida longa ao festival!
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