Percepções daqui

Xícara sem café. Cidade sem sentido? Mais um blog sobre catarse da minha própria existência. Quando escrever sobre o cotidiano soa como sobrevivência na cidade onde vivo

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Texto de 29/10/2015 no finado site "A voz do noroeste"

Crônicas do cotidiano. Eis a proposta para me expressar nesta coluna semanal. Então penso: de que lugar eu falo? O que o lugar onde eu moro me oferece? Meu olhar é quem não é nativa de Paranavaí, porém, nascida no Paraná. O lugar do meu olhar é também do selim. Meio de transporte, mas também academia móvel, a bicicleta nem sempre é bem vinda no espaço urbano, haja vista a demonização do prefeito petista Fernando Haddad: os paulistanos parecem divididos. Quanta ousadia, se as cidades estão organizadas privilegiando os carros! E aqui não é diferente. Mas bem que poderia ser.
Meu olhar é crítico e pretende ser construtivo, pois tenho aflorado meu senso de cidadania, de participação. Quando pedalo, as imagens chegam ao olhar num ritmo tão perfeito, que sou capaz de sentir pena dos que nunca se equilibraram em cima de uma bicicleta. Durante o dia, valorizo as sombras todas provocadas pelas árvores: o descanso ideal do sol. É muito bom mesmo viver em uma cidade arborizada, apesar de ter sofrido recentemente ao ver uma mangueira enorme sendo ‘assassinada’ nos arredores da Tancredo Neves no jardim São Jorge. O poder público local deveria evitar, o mais possível, o corte de árvores. Concordo que em algumas situações paga-se o preço do desenvolvimento: não era tudo mesmo uma grande floresta por aqui? Fato é que uma cidade esverdeada tem mais qualidade de vida. Isso é consenso em todo mundo, não?
Através do meu olhar pretendo expressar opinião, ciente de que o senso crítico é fundamental e capaz de promover um outro ângulo pro olhar alheio. Ao escrever, sem as amarras acadêmicas, talvez eu opte por uma pitada generosa de poesia (tão fundamental para se manter psicologicamente bem neste mundo cão.)

Meu olhar é de quem trabalha com educação e num histórico recente – há exatos sete meses – sofreu as conseqüências ao se manifestar em Curitiba: as balas de borracha marcaram meu corpo e minha alma; as bombas de gás lacrimogêneo lançadas de helicóptero foi expressão de arrogância e covardia. Desde então percebi que uma outra pessoa nasceu em mim. Como um divisor de águas, senti na pele a força violenta do aparato estatal, então pareço outra. E por aqui, é como se o editor do site, também professor de História, abrisse um espaço para mostrar essa outra que sou eu, que me tornei. Menos conformada, essa outra de mim, através da observação do mundo à minha volta e da expressão de opinião, está à procura de novos caminhos para transformar o mundo. E esse outro caminho possível pode ser percorrido de bike. Que tal?

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