Crônicas do cotidiano.
Eis a proposta para me expressar nesta coluna semanal. Então penso: de que
lugar eu falo? O que o lugar onde eu moro me oferece? Meu olhar é quem não é
nativa de Paranavaí, porém, nascida no Paraná. O lugar do meu olhar é também do
selim. Meio de transporte, mas também academia móvel, a bicicleta nem sempre é
bem vinda no espaço urbano, haja vista a demonização do prefeito petista
Fernando Haddad: os paulistanos parecem divididos. Quanta ousadia, se as
cidades estão organizadas privilegiando os carros! E aqui não é diferente. Mas
bem que poderia ser.
Meu olhar é crítico e
pretende ser construtivo, pois tenho aflorado meu senso de cidadania, de
participação. Quando pedalo, as imagens chegam ao olhar num ritmo tão perfeito,
que sou capaz de sentir pena dos que nunca se equilibraram em cima de uma
bicicleta. Durante o dia, valorizo as sombras todas provocadas pelas árvores: o
descanso ideal do sol. É muito bom mesmo viver em uma cidade arborizada, apesar
de ter sofrido recentemente ao ver uma mangueira enorme sendo ‘assassinada’ nos
arredores da Tancredo Neves no jardim São Jorge. O poder público local deveria
evitar, o mais possível, o corte de árvores. Concordo que em algumas situações
paga-se o preço do desenvolvimento: não era tudo mesmo uma grande floresta por
aqui? Fato é que uma cidade esverdeada tem mais qualidade de vida. Isso é
consenso em todo mundo, não?
Através do meu olhar
pretendo expressar opinião, ciente de que o senso crítico é fundamental e capaz
de promover um outro ângulo pro olhar alheio. Ao escrever, sem as amarras
acadêmicas, talvez eu opte por uma pitada generosa de poesia (tão fundamental
para se manter psicologicamente bem neste mundo cão.)
Meu olhar é de quem
trabalha com educação e num histórico recente – há exatos sete meses – sofreu
as conseqüências ao se manifestar em Curitiba: as balas de borracha marcaram
meu corpo e minha alma; as bombas de gás lacrimogêneo lançadas de helicóptero
foi expressão de arrogância e covardia. Desde então percebi que uma outra pessoa
nasceu em mim. Como um divisor de águas, senti na pele a força violenta do
aparato estatal, então pareço outra. E por aqui, é como se o editor do site,
também professor de História, abrisse um espaço para mostrar essa outra que sou
eu, que me tornei. Menos conformada, essa outra de mim, através da observação
do mundo à minha volta e da expressão de opinião, está à procura de novos caminhos
para transformar o mundo. E esse outro caminho possível pode ser percorrido de
bike. Que tal?
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