Percepções daqui

Xícara sem café. Cidade sem sentido? Mais um blog sobre catarse da minha própria existência. Quando escrever sobre o cotidiano soa como sobrevivência na cidade onde vivo

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Apesar do assombro do mundo

Saio de casa sob sol escaldante: filtro solar no rosto e braços. O pneu murcho da bici me fez passar no borracheiro: ele é sempre solícito, brinca que custa 50 reais; peço pra colocar na conta e rio. As árvores trazem o frescor da sombra e o vento impede que se derreta na rua. Faço fotocópias na loja conveniada com o campus universitário ocupado pelos estudantes: pago dez centavos a mais. Decido me manter lá dentro papeando e aproveitando o ar condicionado ligado. Compro um geladinho de um garoto do sétimo ano na esquina do banco, não sem antes saber se ele gosta de estudar; as crianças de hoje em dia dizem que não, numa boa. No meu tempo de estudante não era assim: a escola era levada à sério; dei um sermão nele, ainda mais depois de saber que ele deseja ser como o tio de São Paulo, cirurgião plástico. Pedi um de sabor maracujá: preciso me acalmar mesmo. Por vezes sou tomada por assombros repentinos vindos de mim mesma; olho pro arranha-céu novíssimo do centro, apesar da rua de paralelepípedo, e me pergunto: o que estou fazendo da minha vida? Acho que é porque ontem vi o filme "O preço do amanhã" (In time) e ainda estou sob impacto do enredo; gosto muito de ficção científica mesmo. A volta é sempre mais cansativa, mas a bola azul me espera em casa. Pedalada, esticada de pilates e o calor que amolece o cérebro: sou feliz aqui, apesar desse assombramento do mundo a minha volta.

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